Há algum tempo atrás, na era dos consoles 16-bit, existia um gênero de jogos que era notoriamente conhecido como um dos mais incríveis games já feitos: os RPGs de turno (ou turn-based RPG). Essa categoria de jogos vinda em sua maioria do Japão nos deu alguns títulos memoráveis como toda a saga Final Fantasy, Dragon Quest, o genial Chrono Trigger e Super Mario RPG (um dos meus favoritos!), entre muitos outros que eu poderia citar.

O tempo passou e, conforme as gerações de games foram acontecendo, a audiência tinha cada vez menos paciência para esse estilo de jogo. O combate era realizado por meio de turnos individuais de cada personagem, e com isso boa parte dessas franquias optaram por seguir caminhos e mecânicas mais voltados para o gênero da ação em tempo real. Ficamos então um bom tempo sem novos (ou bons) RPGs tradicionais para quem era fã deles antigamente. Ainda bem que isso mudou: nos últimos tempos, o mundo viu que cometeu uma gafe e finalmente o gênero está tendo um ressurgimento épico 🙌
Em 2025, quando um dos principais candidatos a jogo do ano é um RPG de turno – com Clair Obscur Expedition 33 -, quero falar de um jogo indie que saiu em 2023 mas merece toda a atenção do mundo, por genialmente combinar os melhores aspectos dos RPGs de antigamente em uma experiência que mexeu fortemente com meu coração nostálgico…
Sea of Stars – criado pelo Sabotage Studio – é uma carta de amor aos fãs dos jogos da era 16-bit que citei no início do texto. O jogo tem tudo de melhor que o gênero pode oferecer: um gráfico maravilhoso que combina o estilo antigo com animações modernas, personagens extremamente cativantes e uma história que honestamente me deixou profundamente engajado e emocionado ao final do jogo. Tudo isso, salpicado com um combate por turnos brilhante que vai adicionando inovações conforme a aventura avança.
Por isso, se você ainda não jogou Sea of Stars, deixa eu te contar como esse inocente indie game – que particularmente defini como um sucessor espiritual de Chrono Trigger com pitadas de Super Mario RPG (e quem me conhece sabe o peso dessa afirmação) -, se transformou em um RPG memorável que ficará guardado no meu coração por um longo tempo…

Tomo um combo de lua…
Todo bom RPG começa com uma boa história, e aqui não é diferente. Sea of Stars começa introduzindo as estrelas da nossa aventura: os dois simpáticos e ainda bem jovens guerreiros Valere e Zale, irmãos abençoados pela Lua e Sol respectivamente e que nasceram com a incumbência de se tornarem grandes protetores desse mundo. E o jogo vai se aproveitar desses anos de preparação deles para te introduzir na aventura e te mostrar as mecânicas de combate, que é um dos maiores diferenciais desse indie game.
Sea of Stars é sim um RPG de turnos, ou seja, durante os combates do jogo você enfrentará criaturas seguindo uma ordem individual. Porém, para deixar as coisas mais interessantes, toda ação que você faz no jogo pode ganhar uma dose a mais de força se você apertar o botão de ação no timing certo. Ou seja, no momento antes do seu ataque atingir, um botão bem apertado pode fazer com que você aplique dois golpes ao invés de um. E isso por si só já é legal. Mas, calma que que tem mais coisa boa…

Outro fator que faz com que as lutas sejam extremamente táticas são os usos de elementos aplicados aos ataques de seus personagens. Por exemplo, enquanto os poderes de Zale são carregados com energia do Sol, Valere aplica energia da Lua em suas ações. Através desses elementos você pode não só aproveitar fraquezas específicas de algumas criaturas do jogo, como também impedir ações de combate deles. Cabe a você ir descobrindo – e Sea of Stars tem uma forma bem intuitiva de mostrar isso – quais elementos vão impedir grandes ações dos seus oponentes, algo que pode fazer toda a diferença no seu sucesso ou não em algumas lutas.
E como eu não quero dar spoilers, vou me segurar por aqui… mas ainda existem outros elementos que vão sendo colocados ao longo do jogo para deixar as lutas na aventura cada vez mais e mais táticas, quase como um quebra-cabeças com uma dose muito satisfatória de complexidade. Sea of Stars exige que você saiba trabalhar todos os recursos que você tem à disposição com seus personagens para conseguir vencer os desafios da aventura.
(E você vai entender a importância de tudo isso quando chegar na maldita formiga que se multiplica e faz você querer arremessar o seu Nintendo Switch…)

Embarque em uma história incrível
E se o combate do jogo é brilhante por si só, pode ter certeza que os outros fatores que compõem essa obra complementam ele incrivelmente bem, especialmente o desenrolar da história de Sea of Stars que prometo que vai te amarrar de forma intensa.
Ao longo de sua aventura você poderá explorar todo o mundo maravilhoso presente no jogo, conhecendo alguns lugares e cidades absolutamente incríveis, recheadas de bons personagens e encontros que misturam doses de bom humor com momentos altamente emocionais e impactantes. Como um clássico RPG, é claro que você vai terminar o jogo com um grupo maior de personagens que apenas os dois protagonistas, e cada um desses novos companheiros tem sua própria história, que você poderá explorar no detalhe.

Sea of Stars oferece um mar (literalmente) de side quests, equipamentos secretos escondidos de forma inteligente pelo mapa, encontros 100% opcionais para quem é detalhista e até mesmo um final alternativo apoteótico para presentear os jogadores que fazem questão de completar 100% dos itens colecionáveis que você pode adquirir na aventura (algo que eu recomendo fortemente). O jogo não para de te dar novas surpresas a cada momento para garantir que você esteja sempre empolgado com algo para perseguir.

E quanto a história principal da narrativa em si, definitivamente não quero falar nada que possa estragar surpresas, mas existiu um momento notório que foi pra mim a virada de chave que fez Sea of Stars ir de um ótimo para um inesquecível jogo (mas este te conto quando você resolver jogar 😘) .
Por fim, é sempre bom mencionar, que esse é um daqueles jogos indie que dá pra sentir em todo o momento a dose excessiva de carinho que foi colocada pelos desenvolvedores. Do pixel art encantador a trilha sonora absolutamente épica, tudo em Sea of Stars faz ele merecer um lugar lado a lado com os melhores RPGs clássicos de todos os tempos.
Se você é um apaixonado por RPGs de antigamente, eu não consigo recomendar Sea of Stars o suficiente. E pra deixar a aventura ainda mais divertida, os desenvolvedores implementaram uma mecânica de coop no jogo todo, ou seja, dá para jogar em até três pessoas localmente, com cada um controlando um dos personagens tanto no mapa aberto quanto nos combates em si.
E se já não bastasse a quantidade de coisas disponíveis para fazer no jogo original, Sea of Stars ainda recebeu um DLC completamente gratuito recentemente – Throes of the Watchmaker – que se encaixa com perfeição logo após a conclusão da história principal e adiciona uma história adicional, novas mecânicas, personagens jogáveis e muito mais. Ou seja, ainda mais um ótimo motivo para se deixar levar por esse mundo.
Caso você esteja buscando um indie game que vai te prender, embarque nessa inesquecível aventura, disponível para todos os principais consoles (e depois vem correndo conversar comigo porque eu quero muito compartilhar meu amor por Sea of Stars). Até a próxima ☀️🌑
Adquira Sea of Stars:
Se você se encantou com Sea of Stars e quer explorar mais do incrível trabalho do estúdio, confira The Messenger, um jogo de plataforma cheio de ação que se passa no mesmo universo de Sea of Stars (e dica: jogar os dois cria um gostinho especial pra história). Ou, se você ainda estiver na vibe dos RPGs de turno mas quer algo um pouco diferente, conheça Undertale, um jogo indie cheio de surpresas e um estilo de combate em turnos nunca antes explorado antes.
(Um agradecimento especial à minha esposa, que pesquisou muito antes de me presentear com a versão física de Sea of Stars. E nessa ela acabou acertando um critical hit).

Será que vai ser esse que vai fazer eu tirar o pó do meu Switch ?Vontade deu!
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