Os jogos de terror são definitivamente um dos meus gêneros favoritos quando penso em games (apesar de ter um medo insano da maioria deles). E ser um fã desse estilo de jogo nunca foi tão recompensador, já que os consoles atuais são capazes de produzir algumas das mais aterrorizantes experiências que  pude experimentar (P.T., estou olhando pra você). 

Resident Evil 1 (1996)

E por mais que a tecnologia tenha evoluído bastante, a grande maioria dos mais incríveis e modernos games de terror da atualidade ainda bebem muito da fonte de alguns clássicos dos anos 90, como o primeiro Resident Evil (1996) ou Silent Hill (1999), que foram responsáveis por revolucionar esse gênero em uma época onde o Nintendo 64 e o PlayStation 1 eram o ápice da tecnologia. E esse contexto é importante, já que o jogo indie de hoje é, basicamente, uma carta de amor a estes games que marcaram época.

Crow Country – lançado em 2024 pelo estúdio SFB Games, de Londres -, é um survival horror em 3D que te faz voltar ao passado, com uma estética gráfica digna dos anos 90 e um gameplay que resgata o melhor dos jogos de terror antigos – como recursos escassos, exploração de mapas brilhantemente construídos e uma quantidade enorme de coisas que querem te matar -, somadas a uma dose pontual de modernidade para deixá-lo ainda mais incrível.

Portanto, se você também é fã desse estilo de jogo, apague as luzes e venha passar nervoso descobrir algumas das ótimas razões para encarar o sombrio mistério de Crow Country.

Bem-vindo ao parque de “diversões”

A história de Crow Country – para abraçar ainda mais a sua inspiração nos clássicos -, se passa nos anos 90. Você assume o papel de Mara Forest, uma jovem investigadora policial que está chegando em um parque de diversões abandonado – o Crow Country – para encontrar Edward Crow, o excêntrico e misterioso dono de tudo isso, que está desaparecido e é figura central dentro da trama do jogo. Essa história inclusive é um dos pontos fortes da aventura, com diversas viradas inesperadas, altas doses de suspense e até uma surpreendente participação especial do estado do Pará, no Brasil (é sério).

E logo de cara você já vai sentir um pouquinho do que te aguarda. A ambientação do jogo, tanto visual quanto sonora, são suficientes para te deixar inquieto com tudo que você está vendo a sua volta. Afinal, não precisa ser um detetive profissional para entender que tem algo extremamente errado com o parque e as coisas que você vai acabar encontrando por lá…

O gameplay de Crow Country vai te levar a explorar esse bem construído parque no detalhe. E o mapa realmente se compõe de forma a fazer você se sentir em um parque de diversões realista, com áreas temáticas que de fato fazem sentido, passagens de funcionários interligando tudo, entre outras coisas. E claro, além de explorar, você também deverá resolver alguns quebra-cabeças para avançar na trama e enfrentar (usando a sua arma inicial ou alguma das outras escondidas pela aventura) ou fugir de criaturas horripilantes que te aguardam. Então é bom se preparar para sentir uma boa e velha dose de “medinho”.

Apesar de aterrorizante, explorar o parque de Crow Country é também uma experiência empolgante. O design do jogo é absolutamente bem construído para premiar aqueles com um olhar mais atencioso e que gostam de investigar tudo no mínimo detalhe, recompensando o jogador com recursos valiosos. Além disso, existem segredos opcionais muito bem escondidos, que vão te obrigar a usar a cabeça para decifrá-los, mas que te oferecem recompensas incríveis para continuar sua jornada. Vale a pena gastar um tempinho para desvendar cada um por conta própria.

Alguns outros elementos presentes vão ser muito familiares para aqueles que já jogaram alguns dos jogos clássicos de terror que citei, como por exemplo as salas de salvar o jogo – que são um alívio na aventura sempre que você as encontra com aquela música calma e uma vibe relaxante. Também aparecerão momentos levemente fora da realidade, como encontrar uma preciosa caixa de munição em uma máquina de refrigerante ou um kit médico de cura ao fuçar no latão de lixo. Mas não se engane, Crow Country não vive apenas de similaridades com os clássicos.

Um dos aspectos que pode ser considerado uma modernidade em comparação com os jogos antigos que inspiram Crow Country é a sua mecânica de mirar e atirar, que permite que você tenha um controle bem preciso de onde você vai acertar a cada bala. E em um jogo onde recursos são feitos para ser escassos e as criaturas surreais e assustadoras que você vai trombar pelo caminho tendem a não cair tão facilmente, cada tiro conta. Então é bom se acostumar com os controles fluidos que o game oferece e sempre tentar mirar na cabeça (o que é fácil dizer quando você não está cercado por seres que querem te matar).

Crow Country foi uma grata surpresa no mundo dos indie games. Um jogo de terror que mistura elementos nostálgicos com aquela dose extra de carinho que os desenvolvedores de estúdios menores tanto sabem adicionar, e que soube me deixar aterrorizado e intrigado na dose certa. Aliás, é uma ótima indicação como porta de entrada para quem tem muito medo de encarar alguns dos jogos mais modernos do gênero.

O jogo, apesar de curto – com cerca de 7h de gameplay -, ainda oferece um fator bem legal de replayability, dando a você algumas recompensas únicas baseadas no seu desempenho ao longo da aventura e que você poderá usar para jogar novamente e melhorar sua nota. Além disso, em uma segunda aventura, Crow Country também adiciona uma side quest bem divertida para quem gosta de ser minucioso com a sua exploração. Vale a pena começar de novo só por isso 🙂

Então, convido você a se encher com uma dose extra de coragem, colocar seu melhor headphone, apagar as luzes e vir desvendar o destino de Edward Crow dentro do tenebroso parque de diversões de Crow Country. Espero vocês por lá 🎠​😈​

Adquira Crow Country

Se Crow Country te deixou animado para conhecer mais alguns jogos indie aterrorizantes, confira um pouco sobre Little Nightmares ou o peculiar Inscryption. Agora, caso você queira desvendar um misterioso assassinato, mas com uma vibe bem mais leve, dê uma olhada no divertido point and click, Thimbleweed Park.

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