Em agosto de 1987, a Nintendo lançava o jogo que representaria o início de uma das franquias de maior sucesso na história do universo dos games: The Legend of Zelda, para o NES. E por mais que hoje em dia já existam mais de 20 títulos dessa lendária saga, este primeiro título da série manteve algumas particularidades interessantes que, ao longo do tempo, foram sendo perdidas em novos títulos da franquia ao serem trocadas por mecânicas mais modernas e simplificadas, permitindo que os jogos também fossem muito mais acessíveis para um público mais amplo. E é justamente um desses aspectos abandonados que eu quero explorar para abordar o indie game de hoje.

Devido às diversas limitações da tecnologia dos consoles da época, lançar um jogo de aventura, com um mapa enorme e livre para ser explorado, uma história complexa e cheia de personagens, além de uma infinidade de segredos, não era assim uma tarefa tão fácil. Por isso, o que a Nintendo fez na época para conseguir fazer The Legend of Zelda ser um sucesso foi garantir que cada cópia original do jogo fosse vendida com um manual de instruções que era essencial para qualquer um que quisesse enfrentar o convidativo mundo de Hyrule, já que ele continha mapas, dicas, descrições de cada item do jogo, explicações sobre mecânicas e até instruções de como desvendar segredos. E é exatamente essa mecânica que fez com que o jogo indie de hoje se tornasse um dos meus favoritos de todos os tempos.
Criado pelo estúdio FINJI, de Michigan (EUA), TUNIC é um indie game de aventura em 3D com visão isométrica e que bebe muito da fonte da série The Legend of Zelda em termos de gameplay. O jogo conta com um mapa de mundo aberto, onde você – controlando a simpática raposa que é o personagem principal – deverá explorá-lo para encontrar itens, desbravar masmorras e, claro, cumprir seu papel na misteriosa história da aventura. E falando em mistérios…, prepare-se, porque essa é justamente a melhor parte da jornada.
Então, agora que você já tem uma noção básica sobre TUNIC, bora vestir a sua túnica verde e ler um pouquinho mais sobre essa aventura fora de série que tenho certeza que vai te deixar apaixonado do começo ao fim (com chances de leve doses de obsessão). Vem comigo!

Que comece a aventura
TUNIC não perde nenhum segundo para te colocar em sua aventura. O jogo se inicia com o nosso personagem principal acordando em uma praia, sem absolutamente nenhuma informação, e a partir daí cabe a você dar seus próximos passos. No início você vai deduzir que tem uma barra de vida e uma de stamina, além da capacidade de rolar em qualquer direção – algo que é útil para desviar de ataques mas que tem um gasto de stamina.

Como um bom jogo de aventura 3D, você tem liberdade para controlar seu personagem e explorar livremente a direção que mais te chamar a atenção. O mundo em TUNIC é absolutamente bem pensado para te dirigir aos pontos de interesse sem precisar ficar te falando para onde você deve ir ou colocando sinalizações no seu mapa (que você no começo nem tem). Inclusive, esse excesso de liberdade pode até ser visto como um aspecto de dificuldade para quem não é muito familiarizado com o universo dos games (algo que minha esposa pediu para eu reforçar nesse texto).
Mas claro, por mais que o mapa seja completamente aberto, existem barreiras naturais que são colocadas em seu caminho e que só poderão ser ultrapassadas com certos itens que você deve encontrar. E é justamente através desses itens – como sua fiel espada, por exemplo -, que TUNIC aos poucos vai se abrindo e se tornando grandioso, convidando você a conhecer cada vez mais do mundo do jogo e seus segredos conforme você vai evoluindo.
E graças a um design de mundo inteligente, muito rapidamente você vai conhecer o mapa do jogo nas palmas das mãos, descobrirá atalhos graças uma grande interconectividade das diferentes regiões e estará desbravando tudo com bastante confiança. Mas até lá, uma dica valiosa: não tenha medo de se perder, isso faz parte da jornada em TUNIC 😉
Bom, até aqui parece um jogo de aventura padrão, certo? Então vamos ao próximo bloco.

Desvendando o mundo
Uma das principais coisas que você deverá coletar para avançar na história são as páginas sagradas, espalhadas ao redor do mundo, que contém uma infinidade de segredos e informações relevantes sobre sua aventura no mundo de TUNIC. E o que são essas páginas? Básicamente folhas de um brilhante manual de instruções, colocado dentro do jogo e que te conta absolutamente tudo que você precisa saber sobre a história do jogo, suas habilidades, segredos e muito mais. Mas claro, com um pequeno twist…

O mundo de TUNIC contém um idioma próprio, composto por runas, e que a princípio você não vai ter a menor capacidade de interpretar. Tudo no mundo é escrito nessa língua – como placas, falas de personagens, menus e, claro, uma boa parte do manual de instruções. Ou seja, o jogo de forma muito inteligente vai obrigar que você interprete grande parte do que ele está te mostrando nessas páginas, seja testando, tentando criar conexões com a linguagem do mundo real ou mesmo analisando as belíssimas ilustrações contidas no manual. E a melhor parte disso é que cada pequena descoberta gera uma enorme satisfação, que vai te fazer querer entender cada vez mais do que está rolando no jogo.
E eu devo dizer: o manual tem a resposta para absolutamente tudo em TUNIC, seja o próximo local que você deve visitar, qual item você encontrará em cada masmorra, o que raios está rolando na história da sua aventura, entre outras coisas que devo me segurar para não falar por questões de spoiler. A única coisa é que você vai ter que usar a cabeça para obter essas respostas e elas absolutamente serão dadas em linhas tortas e em uma língua esquisita.
Só como uma provocação e sem me aprofundar muito. Mas ao terminar minha aventura eu tinha cerca de 15 páginas de anotações em um caderno ao meu lado, uma esposa tão obcecada quanto eu para desvendar os últimos mistérios em TUNIC e um leve conhecimento poliglota conquistado com muito esforço cerebral. E foi perfeito ❤️
A experiência do manual é realmente o maior highlight do jogo, mas é importante ressaltar que TUNIC também executa perfeitamente os outros elementos que criam um indie game de aventura memorável: como a trilha sonora do jogo que te ajuda a ficar imerso na história, inimigos e bosses que vão exigir bastante de você em combate, além de cenários lindos e bem desenvolvidos com o estilo artístico único do jogo.
O visual 3D isométrico do mundo, inclusive, é usado muitas vezes de forma brilhante para esconder baús e outros segredos de você com um simples uso de perspectiva. Ou seja, a cada pequena curva o jogo vai te surpreender de alguma forma. E em pouco tempo sua raposa (e você) se tornará um mestre em encontrar essas surpresinhas e navegar pelo mundo do jogo.
Se ainda não ficou claro pelo texto, TUNIC é um daqueles jogos que vai levar um bom tempo até sair da minha cabeça e que para sempre guardarei a nostalgia de jogar pela primeira vez sem saber os segredos que este brilhante indie game esconde.
Espero que você aproveite suas aventuras pelo mundo de TUNIC… e depois me chame para bater suas descobertas com as minhas. Boa jogatina 🦊
Adquira TUNIC
- Nintendo eShop: https://bit.ly/TUNIC_eshop_QG
- PS Store: https://bit.ly/TUNIC_QG_PS
- Microsoft Store: https://bit.ly/TUNIC_QG_XBOX
- Steam: https://bit.ly/TUNIC_QG_Steam
Se as suas aventuras por TUNIC te deixaram sedento por outras experiências onde você poderá se perder em um mapa incrivelmente bem construído e desvendar uma misteriosa história, confira tudo sobre Hollow Knight. Agora, se o que mais te deixou atraído pelo jogo foi o desafio de tentar desvendar a misteriosa linguagem do manual de instruções, dê uma lida no resumo de Chants of Sennaar – um indie game feito em torno da ideia de aprender novas línguas.

Esse eu joguei!! É espetaculo!!!
Descreveu bem demais!!
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Como linguista, amo este jogo! Como gamer, acho meio ‘mééh’, nota 8. Hehe.
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